sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Geração Digital - O que acontece quando as bibliotecas morrem! Reinventam-se?

As notícias que estão surgindo na mídia cada vez mais indicam um momento de incertezas quanto ao futuro das bibliotecas. Notícia veiculada pelo portal ZdNet no último dia 10 de novembro trás uma foto chocante!, mais ainda o seu conteúdo mostra que dentro de 20 anos, ou talvez em 10 anos, quase todo o consumo popular de mídia impressa será distribuído exclusivamente em formato eletrônico.  Achei o conteúdo interessante mas ao mesmo tempo muito crítico.
As vantagens são claras para este tipo de mídia digital segundo a notícia, embora a compra e a entrega do conteúdo seja instantânea, há ainda a eliminação da escassez de livros nas livrarias, bem como os benefícios da portabilidade que são óbvios, tem ainda o impacto sociológico que muitos não têm considerado - que é o daqueles que não são incluídos na sociedade digital que podem encontrar-se negado o acesso a toda uma gama de conteúdos que gozava anteriormente com o livro impresso, jornal ou revista.  
Reinventando Bibliotecas 
A notícia é pessimista pois destaca que o desaparecimento da biblioteca pública será lento isso pode ainda ser visto nas notícias veiculadas no Library Journal sobre os cortes orçamentários que acabariam limitando o tempo de serviços oferecidos por estes espaços.
A famosa discussão em torno do que vai permanecer vivo são os livros impressos ou digitais sempre haverá e   ainda sabemos do gosto do leitor de folhear as páginas dos livros porém a possibilidade de encontrar aquilo que procura num simples toque de uma tela pode trazer inúmeros benefícios. 
Leitores digitais como o Nook são vendidos no site da Barnes & Noble a USD 149 dólares e já disponibilizam mais de 2 milhões de títulos para o leitor escolher e comprar será que no início do século 20 era possível montar uma biblioteca com essa quantidade de títulos todos num único volume?
Nook da Barnes & Noble
Vou mais além e trago a notícia veiculada no Los Angeles Times no dia 12 de novembro de 2010 que traz em seu título: "Bibliotecas reinventam-se! como elas lutam para permanecer relevante na era digital" e destaco na notícia a fala de uma diretora de biblioteca que diz que é muito comum os usuários da biblioteca dizerem "Por que eu preciso de uma biblioteca quando eu tenho um computador?" e ela própria coloca que temos que reformular o que significa a biblioteca para a comunidade!
E o exemplo de lá não para as bibliotecas tem sido reformadas e mesas onde antes eram realizados serviços de referência e cabines de estudo tem sido substituídas por salas onde as crianças vão jogar Guitar Hero(jogo eletrônico de música onde o jogador interage com o computador através de uma mini guitarra ou outro instrumento musical) e pergunto a você leitor e usuário de bibliotecas se levaria o seu filho para uma biblioteca para jogar um videogame? Outro exemplo que os bibliotecários irão se incomodar é com a substituição do sistema de classificação Dewey (CDD) proposto em 1876 por classificação do acervo por tópicos semelhante a como é numa videolocadora.
Guitar Hero em Bibliotecas
Outra proposta já em discussão é a fusão das bibliotecas universitárias e das gráficas/editoras mantidas pelas universidades para diminuir custos e tomar decisões estratégicas para por exemplo publicar os trabalhos de monografias, teses e dissertações em formato digital conforme exemplo já implementado pela Universidade de Michigan.
Isto não para e podemos caminhar para um processo complicado onde por exemplo a falta de um padrão para os livros eletrônicos que são lidos nos leitores digitais acabe deixando o usuário destes dispositivos numa rua sem saída, devido ao fato de só poder utilizar determinado software proprietário para a leitura.
Vemos exemplos também nas próprias Universidades Públicas brasileiras da aquisição de acervo em formato digital para disponibilizar para estudantes que vem de classes onde a exclusão digital ainda impera e nos deparamos com uma outra discussão. Como as bibliotecas irão enfrentar nos próximos anos a crise vivida pela indústria do entretenimento e as videolocadoras com a disponibilização de filmes pela internet? Como a geração digital irá interagir com as bibliotecas?
Aguardo comentários
David Vernon

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